
sete e trinta e sete e trinta
e tic tac no relógio
sobre a estante de cordas na sala
indiferente à fala
à bala
ao nó aqui
dentro muito em mim
antes
a palavra PALAVRA
não me fascinava tanto
assim assim
nem eu tinha ainda estes anos
nem rio dentro dos olhos
acesos
hoje
vejo correr o tempo
e no fim de cada dia
arranco do tédio
entre um ou outro anestésico
o facho
o fogo
o incêndio mesmo do poema
e resoluto faço viagem
plena e funda
é a palavra
a palavra no centro
a palavra e seu pulso
a palavra e seu incêndio
sete e trinta e sete e trinta
e tic tac tic tac...
sou poeta
tenho vinte e poucos anos
tenho rios dentro dos olhos
acesos ainda mais
tenho fabricado cinzas
e sou incapaz
do suicídio
nada mais eu te conto
se poema fosse fuzil
poeta seria guerrilheiro
poema... poeta... e daí?
eu sou
o invencível guerrilheiro vencido
a cisco vil depois da festa
txt. Antonio Rezende